terça-feira, 28 de julho de 2020

Estudo revisa megatendências dos sistemas alimentares pós-pandemia

 

Foto: arte Embrapa

arte Embrapa - Embrapa divulga mais um estudo da Série Diálogos Estratégicos

Embrapa divulga mais um estudo da Série Diálogos Estratégicos

A explosão da pandemia de covid-19, envolvendo muitas das grandes economias do planeta, está alterando progressivamente as megatendências para os sistemas alimentares. O ritmo de implantação de tecnologias como internet das coisas (IoT), automação e robótica, inteligência artificial e aplicativos digitais acelerou, e elas já são uma realidade na produção agrícola. O surgimento de plataformas de comércio eletrônico para facilitar as transações entre agricultores e consumidores finais é outra inovação que tende a revolucionar os segmentos de logística e marketing, fruto do isolamento social e dos novos padrões sanitários.

São possíveis tendências, surgidas durante a pandemia, que poderão influenciar o desenvolvimento dos setores de consumo na era pós-covid-19. Destacam-se ainda: a busca crescente por produtos orgânicos, o aumento nos gastos com proteínas alternativas, o interesse do consumidor por vitaminas e suplementos alimentares, bem como o aumento do uso de aplicativos para entrega de alimentos preparados, devido ao fechamento de restaurantes e fast-foods. 

Por outro lado, a demanda por alimentos chamados “premium”, mais sofisticados, como os cortes “especiais” de carnes bovinas, deverá sofrer forte diminuição devido a fatores como desaceleração econômica global, aumento do desemprego, diminuição da renda per capita e novos hábitos de consumo, em decorrência dos inúmeros fatores pós-pandemia.

Essas e outras informações estão no estudo Segurança alimentar pós-covid-19: megatendências dos sistemas alimentares globais, elaborado pela Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire). O trabalho analisa as principais tendências dos sistemas alimentares globais para os próximos 20-30 anos, após a eclosão da pandemia, e seus reflexos no aumento do desequilíbrio da segurança alimentar.

“Uma série de eventos econômicos e sociais, ocorridos em 2020, como resultado da explosão global da pandemia de covid-19, envolvendo muitas das maiores economias, alterou, progressivamente, as dinâmicas internas e externas de muitos desses países em uma direção mais protecionista e nacionalista. Embora seja cedo para prever, com algum grau de convicção, como será o mundo após a pandemia, uma revisão das megatendências setoriais e macroeconômicas indica que algumas podem ser ampliadas e outras aceleradas”, destaca o autor do estudo, o pesquisador Mário Seixas.

O trabalho foi elaborado com base em informações técnicas e relatórios de organizações internacionais e agências de risco, com destaque para o Independent Science and Partnership Council do Conselho de Pesquisa Agrícola Internacional (CGIAR), o Global Panel on Agriculture and Food Systems (Global Panel), Fitch Solutions Country Risk & Industry Research, pertencente à agência de risco Fitch Ratings, e os relatórios publicados pela RaboResearch, Food and Agribusiness, um departamento do RaboBank.

“O lockdown e o distanciamento social contribuíram para vários choques simultâneos em todo o sistema alimentar global. Alguns governos fecharam pontos de venda formais e informais de alimentos e restringiram severamente a movimentação de cidadãos, enquanto a produção e o processamento de alimentos, transporte, comércio e varejo foram profundamente afetados”, contextualiza Seixas.

Segundo dados do Global Panel, antes da pandemia, 135 milhões de pessoas passavam fome no mundo. No entanto, só de  fevereiro a junho, houve um incremento estimado de cerca de 45 milhões de pessoas, de acordo com o alerta do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas. Segundo a agência, até o final do ano, 265 milhões de pessoas podem enfrentar insegurança alimentar aguda por causa da pandemia.

As cadeias de suprimento de alimentos também foram interrompidas quando os governos fecharam restaurantes e restringiram a presença de vendedores ambulantes de alimentos, varejistas de alimentos e transporte rodoviário, com o objetivo de limitar a propagação de infecções.

“Outro efeito da pandemia foi uma mudança na demanda por alimentos específicos. A Covid-19 alterou, pelo menos temporariamente, alguns hábitos do consumidor, particularmente onde e como comer. As implicações a curto e médio prazos são claras: restaurantes e opções consumo fora de casa provavelmente se recuperarão mais lentamente do que o inicialmente esperado”, ressalta Seixas.

Interface saúde humana, tecnologias e sistemas alimentares

Bioeconomia, biotecnologia, recursos genéticos e hiperconectividade, essenciais na aceleração da adoção da agricultura de precisão - com os consequentes aumentos de produtividade, economias de escala e readequação do uso da mão de obra agrícola -, são alguns dos fatores que influenciarão a agricultura e os sistemas alimentares.

Nessa direção, o estudo da Embrapa indica a consolidação de oito megatendências globais para os próximos anos, com horizonte para concretização até 2050. 

Para Seixas, a mais importante megatendência é a interface entre saúde humana, tecnologias e sistemas alimentares. Segundo ele, os avanços científicos e a melhoria nos padrões de vida contribuem para aumentar a longevidade das pessoas, reduzindo a letalidade das doenças infecciosas. No entanto, obesidade, desnutrição, resistência a doenças, bactérias e micróbios acarretarão crescentes pressões para o aprofundamento do conhecimento da saúde humana. Somado a isso, é preciso também considerar doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e depressão combinadas com a poluição e a medicina reativa no lugar da preventiva.

“Por isso, consumidores e suas escolhas são fatores importantes nos processos de tomada de decisão dos produtores, com possíveis impactos na segurança alimentar e nutricional, no meio ambiente e na sustentabilidade financeira do agronegócio global”, afirma o pesquisador.

Outra megatendência diz respeito a novas tendências transformadoras do sistema alimentar global: conscientização quanto a aspectos de saúde e preferência por produtos de nicho, combinadas com a crescente influência da tecnologia, tendem a transformar a indústria de alimentos de múltiplas formas. “Esforços adicionais para reduzir a perda de alimentos e o desperdício são urgentemente necessários”, complementa Seixas. 

O estudo prevê que Brasil, Estados Unidos e alguns países da Europa aumentarão sua produção e os excedentes de alimentos nos próximos anos. Eles continuarão como os fornecedores agrícolas mais importantes no cenário internacional. Ásia, África e alguns países da América Latina (incluindo o México), embora com aumentos significativos da produção em um horizonte de dez anos, podem se tornar mais vulneráveis quanto à segurança alimentar, devido ao forte crescimento do consumo local de alimentos e ao precário controle fitossanitário.

Inovações tecnológicas

As inovações também estão no conjunto das megatendências apontadas pelo estudo. Os avanços em genética, nanotecnologia, automação, robótica e inteligência artificial e outras tecnologias emergentes estão acelerando. A hiperconectividade, a internet das coisas, a realidade aumentada e os sistemas de inteligência coletiva, combinados com a redução dos custos de implementação de novas tecnologias, estão transformando sistemas inteiros de produção, gerenciamento e governança. 

Outra megatendência é a ascensão dos consumidores “seniors”, mais idosos. A população global se expandirá em quase 2 bilhões nas próximas décadas até 2050. “Isso criará essencialmente um segmento de consumo, que exigirá diferentes produtos e estratégias de marketing e branding para empresas voltadas a esse novo consumidor”, detalha Seixas.

Por outro lado, atenção especial é dedicada às futuras gerações e sua propensão a aceitar e consumir novidades em alimentos. Com a estimativa de aumento da população mundial para 9,8 bilhões em 2050, a questão da escassez de alimentos e da segurança alimentar torna-se estratégica e crítica. 

Por isso, sob o ponto de vista do consumo, a legalização e a aceitação de alimentos GM podem contribuir para a segurança alimentar, já que, segundo as agências internacionais que subsidiaram o estudo, há concordância científica de que alimentos derivados de culturas GM não representam maior risco para a saúde humana. No entanto, consumidores mais jovens serão mais críticos quanto ao consumo desses alimentos. Não se espera uma aceitação geral nos mercados desenvolvidos antes de 2050, especialmente na União Europeia, onde interesses fragmentados tornam a decisão política mais difícil.

“Nesse sentido, irá se consolidar entre os jovens a tendência pelos alimentos não tradicionais, como a carne sintética. Mais investimentos surgirão à medida que as preferências dos consumidores mudem progressivamente para dietas ricas em proteínas de origem não animal e outras alternativas”, explica Seixas, destacando estudo recente da Fitch Solutions.

De acordo com a agência, estima-se que, até 2050, várias proteínas cultivadas em laboratórios estarão disponíveis e serão incorporadas às dietas. “Nos próximos 30 anos, as empresas de alimentos e bebidas investirão cada vez mais em proteínas celulares, pois fornecem uma solução atraente para as preocupações ambientais e de bem-estar animal, além de diminuir a insegurança alimentar”, afirma a Fitch.

O relatório da agência deste ano identificou empresas de tecnologia que já começaram a investir em carne cultivada em laboratório, com destaques para Memphis Meats (EUA), Aleph Farms (Israel), HigherSteaks (Reino Unido), Mosa Meat (Holanda) e Meatable (Holanda), todas competindo para viabilizar mercadologicamente o produto. Embora os altos custos de produção continuem sendo barreira fundamental, a médio e longo prazos, estima-se uma redução nesses valores.

Comércio eletrônico e aplicativos

No âmbito do comércio eletrônico e aplicativos, megatendência que moldará a forma como varejistas operam, o estudo identificou três desenvolvimentos importantes para os próximos 30 anos: (a) drones: a entrega de alimentos por drones reduzirá significativamente os prazos de entrega, especialmente em grandes áreas metropolitanas e regiões remotas; (b) veículos autônomos: o potencial de combinação entre veículos autônomos com drones tem o potencial de diminuir significativamente os prazos de entrega; (c) restaurantes dedicados à entrega de produtos finalizados, por aplicativos, não abertos ao público.

Apesar dos avanços tecnológicos e da preocupação com a segurança alimentar, as mudanças climáticas e a degradação ambiental permanecem como uma forte megatendência. Para as agências de risco, “as mudanças climáticas são irreversíveis e, mesmo que todas as emissões de atividades humanas fossem interrompidas, o clima continuaria a se alterar”.

Agtechs

O estudo identificou forte presença das agtechs nos próximos anos, como base para a inovação e evolução da produção agrícola. Estima-se que os principais avanços venham das novas tecnologias de automação e robótica, da hiperconectividade e do acesso à internet, das novas tecnologias empregadas no melhoramento vegetal e animal, sistemas mais avançados de gestão de recursos e uma melhor compreensão da relação alimentos-consumo-saúde humana.

“O uso de agtechs poderá beneficiar várias operações e negócios no processo produtivo, como os produtores rurais e os provedores de serviços de tecnologia ao setor”, explica Seixas. De acordo com o pesquisador, os mercados emergentes, a grande maioria dependente de mão de obra qualificada, terão estilos diferenciados de adoção da agtech. “A Ásia se destacará em termos de adoção devido aos fortes fundamentos de TIC. A China adotará a agtech em um horizonte de cinco anos, ajudada por um apoio público ativo. Na América Latina, o Brasil e a Argentina tenderão a sobressair devido, principalmente, à pujança e à competitividade internacional do agronegócio privado e da hiperconectividade”, finaliza.

O estudo “Segurança alimentar pós-covid-19: megatendências dos sistemas alimentares globais” integra a Série Diálogos Estratégicos da Embrapa e faz parte do Sistema Agropensa. 

Saiba mais sobre o tema aqui 

Maria Clara Guaraldo (MTb 5027/MG)
Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire)

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nfravermelho identifica variedade do amido presente na mandioca

 

Foto: Bruno Rafael da Silva

Bruno Rafael da Silva - Infravermelho médio consguiu identificar, de modo prático, características do amido presente na mandioca

Infravermelho médio consguiu identificar, de modo prático, características do amido presente na mandioca

  • Baseado no infravermelho médio, novo método mostrou que etnovariedades têm diferentes tipos de amido.

  • Pesquisa analisou 132 variedades de mandioca e envolveu cientistas de quatro instituições.

  • Técnica economiza tempo, pois método convencional envolve coleta e análise total em laboratório.

  • Possível tecnologia baseada na descoberta permitiria à indústria direcionar compras para variedades com qualidade superior de amido.

  • Mandiocas com amido diferenciado poderão remunerar melhor o agricultor e informar melhor o consumidor.

Uma pesquisa desenvolvida em Mato Grosso comprovou a eficiência do uso de análises de infravermelho médio na identificação de diferentes tipos de amido em etnovariedades de mandioca. A descoberta abre possibilidade para o desenvolvimento de técnicas que permitam saber as características do amido de cada material, possibilitando um diferencial de pagamento para produtos com propriedades de maior interesse para a indústria. 

O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” (Unesp Botucatu), Embrapa Agrossilvipastoril (MT) e Universidade de Saskatchewan (Usask), no Canadá, e avaliou 132 variedades de mandioca em áreas dos biomas Cerrado, Pantanal e Amazônia. 

Aproveitando a variabilidade brasileira

Mato Grosso é um dos centros de origem da mandioca no mundo e possui uma grande variabilidade genética. Na região, as plantas florescem e formam sementes, o que gera o cruzamento genético. Além disso há a presença de parentes silvestres e o trabalho de preservação feito por agricultores e comunidades tradicionais. 

Toda essa variabilidade genética tem um grande potencial de apresentar amidos com diferentes características que possam ser de maior interesse para a indústria (veja mais no quadro abaixo). O método convencional de levantamento sobre essa variabilidade envolvia a coleta da mandioca no campo e análise total em laboratório. Como trata-se de um produto perecível, o processo era lento, inviabilizando a avaliação de muitas amostras. Outra possibilidade era a coleta de ramas, plantio em áreas experimentais e posterior análise. Isso demandava, além de tempo, espaço para a lavoura e custos elevados para condução.  

Para solucionar esse problema, os pesquisadores testaram um novo método, no qual um pequeno pedaço da raiz era coletado no campo, ralado e seco no local. Assim, amostras menores e com maior durabilidade foram encaminhadas para laboratório, onde foram analisadas com uso de infravermelho próximo e médio. O método com infravermelho médio se mostrou eficaz nos testes.

“Essa técnica cruzou duas informações. Ela comprovou que as etnovariedades podem dar amidos diferentes e que o uso do infravermelho médio pode detectar amidos diferentes”, conta a pesquisadora da Embrapa Eulália Hoogerheide.

O resultado permitirá a realização de análises em quantidade maior de amostras, ampliando o potencial de prospecção das etnovariedades, sobretudo na região de Alta Floresta, na borda sul da Amazônia, onde foi encontrada maior diversidade nos tipos de amido. Nas regiões de Acorizal (Cerrado), Sinop (transição Cerrado/Amazônia) e Cáceres (Pantanal) o resultado mostrou maior similaridade tanto com os amidos comerciais brasileiros, quanto com as amostras da Tailândia, usadas na comparação. 

Até o momento, a técnica validada aponta apenas a existência de diversidade nos tipos de amido. O objetivo dos pesquisadores, na sequência do trabalho, é ver se a análise de infravermelho também possibilita identificar as características de cada amido. Com isso, será possível saber de antemão o tipo de amido produzido pelas variedades e recompensar o produtor pela qualidade do produto. 

“Essa é uma opção adicional para identificar variedades importantes e valorizar o desenvolvimento dos esforços realizados por pequenos produtores, cujas áreas abrigam etnovariedades com propriedades especiais e economicamente importantes”, explica Hoogerheide.

Amido de mandioca

Os amidos estão presentes em diversas plantas e as fontes mais utilizadas no mundo são milho, mandioca, trigo, batata e, em menor quantidade, arroz. Eles são amplamente utilizados na indústria alimentícia, além de outras indústrias, como de papel e papelão, por exemplo. 

Na indústria alimentícia são usados em uma gama enorme de produtos, com objetivo de obter determinada textura, enriquecimento, entre outros. Porém, para ser usado, o produto tem de resistir ao calor, congelamento, descongelamento e refrigeração. Para que o amido comercial atenda a esses requisitos, são usados aditivos químicos.

De acordo com a pesquisadora da Unesp Marney Cereda, com o aumento da demanda dos consumidores por alimentos naturais, sem aditivos químicos, a identificação de amidos que naturalmente apresentem as características necessárias para a indústria passou a ser de maior interesse. 

Ela explica que ao longo do tempo, a seleção genética de mandioca foi feita visando obter materiais resistentes a pragas, doenças, com boa produtividade e alto teor de amido. Dessa forma, os bancos de germoplasma passaram a ter materiais semelhantes, sem diversidade na qualidade do amido que possibilite atender à nova demanda do mercado.

Situação semelhante ocorreu com milho, trigo, batata e arroz. Porém, nesses casos, o longo processo de seleção limitou a diversidade genética e é pouco provável que se encontre amidos diferentes, com características naturais de interesse da indústria.

Com a mandioca, entretanto, ainda há uma grande variabilidade genética nos materiais cultivados por comunidades tradicionais e indígenas na Amazônia que não foi explorada pelos programas comerciais de melhoramento genético. Isso leva ao interesse dos pesquisadores pela identificação da variedade nos amidos provenientes de etnovariedades mato-grosssenses.

“Já sabemos que na região Amazônica há amidos diferentes. Agora precisamos retornar lá, coletar uma amostra maior, e analisar para conhecer as características desse amido. Mas já podemos dizer ao produtor que ele tem ali um produto diferenciado”, frisa Cereda.

A análise das características será importante para identificar quais dessas diferenças atendem ao interesse da indústria. Assim, poderá haver um pagamento diferenciado por esse produto.

“O Brasil ficou para trás no mercado da commoditie amido de mandioca. Hoje a Ásia produz em quantidade muito maior. Se o País quiser retomar espaço, não será pela quantidade e sim pela qualidade do amido produzido”, analisa o pesquisador da UFMS Olivier Vilpoux.

De acordo com o cientista, caso se confirme que determinadas etnovariedades geram amido de melhor qualidade e de interesse da indústria, as comunidades ou produtores que cultivaram e preservaram esses materiais poderão comercializá-los e receber royalties pelo produto. A produção em grande escala, entretanto, deve ocorrer em locais próximos às indústrias de amido já instaladas no País, em regiões onde o cultivo da mandioca ocorre em maior área, como Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, por exemplo.

 

Etnovariedade x cultivar

Ao longo dos anos, o homem faz seleção genética de plantas conforme seu interesse. Comunidades tradicionais na baixada cuiabana, em Mato Grosso, por exemplo, selecionam variedades de mandioca para produção de farinha. Já comunidades indígenas no Xingu selecionam pensando na produção do beiju. Outros grupos indígenas da Amazônia preferem a mandioca-brava.

Todo esse processo de escolha e replantio de materiais que atendem melhor aos objetivos locais resulta na seleção das chamadas etnovariedades. Elas são conservadas pelos próprios produtores por meio do plantio contínuo. É a chamada preservação on farm e, no caso da mandioca que é nativa de Mato Grosso, é também considerada in situ.

Já a seleção comercial, feita por meio de programas de melhoramento genético de instituições de pesquisa e empresas, resulta na obtenção de cultivares, que são variedades registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A comercialização dessas cultivares gera royalties para a instituição responsável pelo seu desenvolvimento. 

Foto: Gabriel Faria

 

Gabriel Faria (MTb 15.624/MG)
Embrapa Agrossilvipastoril

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